O projeto do SAT Fiscal do
Governo de São Paulo, um novo sistema autenticador e transmissor de cupons
fiscais eletrônicos (CF-e) (leia mais em CRN Tech, pág.48) para documentar de
forma eletrônica as operações comerciais dos contribuintes varejistas, é o
assunto mais quente no mundo da automação de negócios atualmente. O projeto
prevê a troca dos atuais ECFs (Emissores de Cupom Fiscal) baseados em uma
impressora específica de armazenamento de dados por outro equipamento capaz de
fazer a transmissão em tempo real do movimento do comércio via telefonia celular
ou banda larga. Os testes em campo começam em abril, em alguns estabelecimentos
e a expectativa é que a novidade seja implantada oficialmente em 2011. No
mercado, fabricantes, distribuidores, integradores e associações dão o projeto
como inevitável, já que ele faz parte de uma iniciativa da Secretaria da Fazenda
do Estado de São Paulo (Sefaz) de aumentar a arrecadação. No entanto, o projeto
é polêmico e tem gerado grande discussão sobre o impacto nas empresas
fornecedoras de serviços e tecnologia e nos próprios comerciantes. O custo do
investimento, os problemas técnicos a serem enfrentados e - principalmente - a
eliminação do mercado estabelecido de impressoras fiscais são os temas mais
quentes que cercam esse novo avanço do Fisco paulista. A Federação do Comércio
já mostrou preocupação com o projeto do jeito que ele foi definido, alegando que
o custo da implantação seria alto demais para os comerciantes e isso poderia
inviabilizar a adoção para quem ainda não trabalha com nota fiscal eletrônica
(NF-e). A Sefaz prevê que o equipamento custe em torno de R$ 400. Mas, para a
Fecomercio, o investimento poderia chegar a R$ 8 mil entre o SAT, equipamento
para ponto-de-venda, softwares e treinamento para operação dos sistemas. "Os
micro e pequenos empresários serão os mais prejudicados com a obrigação desse
novo investimento", aponta a assessora jurídica da entidade, Janaína Lourenço.
A
Fecomercio almeja algum mecanismo de benefício para diminuir o impacto desse
custo para os comerciantes. Entre as propostas está a adoção de um crédito
presumido de 50% para a aquisição do SAT Fiscal. Tal modelo foi adotado para não
onerar comerciantes que precisavam comprar o ECF. Outra proposta da federação é
que seja adotado um cronograma de implantação para que seja criado um tempo de
adaptação à novidade. A federação não se posiciona contra o avanço tecnológico.
Em 2008, o projeto Modernização Tecnológica para Empresas de Pequeno Porte,
semelhante ao do Governo do Estado, foi enviado à SEFAZ.
"Qualquer avanço
tecnológico tem custo, e o micro e pequeno comércio não tem fôlego para ficar
trocando de tecnologia a toda hora por conta de novas leis", enfatiza Janaína.
Na Associação Brasileira de Automação Comercial (Afrac), o assunto é pauta de
reuniões constantes e muita preocupação com o futuro de fornecedores de soluções
de impressão fiscal. "O Brasil tem uma automação que é modelo no mundo, é
exportadora, e o SAT Fiscal não pode prejudicar esse mercado", diz o
vice-presidente de AIDC e gerente-geral da Honeywell, Cassio Pedrão. A
associação apóia o SAT Fiscal, mas quer traçar um caminho seguro de transição
para preservar as virtudes das empresas fabricantes de equipamento, software
houses e fornecedora de serviços. A cadeia de empresas envolvidas nisso é
complexa e específica do Brasil. Por se tratar de um emissor de cupons fiscais
que carregam informações de tributação e alíquotas de cada movimentação, a venda
e uso desses equipamentos são regidos pelo Fisco, que controla o mercado com um
lacre e um formulário. Além dos fornecedores, as empresas envolvidas na
manutenção necessitam ser autorizadas a prestar esse tipo de serviço e qualquer
intervenção técnica é acompanhada por relatórios e termos de responsabilidade
entre todos os envolvidos. O SAT Fiscal, do jeito que está planejado, irá abrir
esse mercado.
"Pode ser o 2012 para as empresas, se elas não se prepararem",
brinca o gerente de integração e desenvolvimento da Urmet Daruma, Claudenir
Andrade, que trabalha com impressoras fiscais. Ele se refere ao recente
blockbuster do cinema onde o fim do mundo se dava de forma catastrófica. Isso
poderá ocorrer simplesmente porque o projeto do SAT prevê a possibilidade de
impressão do documento fiscal em impressora comum e a eliminação do uso de
lacres e de custos decorrentes de interventor técnico. Segundo a Sefaz-SP, as
mudanças tem como objetivo a simplificação para gerar aumento da arrecadação sem
a elevação da carga tributária. Apesar da visão dramática, Andrade acredita que
o SAT é bem vindo, mas é necessária alguma regulamentação. "Há oportunidades e
riscos como toda novidade tecnológica e o mercado fabricante deve ser ouvido",
completa. As mudanças do SAT, em termos de mercado, podem ser mais profundas. O
novo equipamento estudado agrega a tecnologia GPRS de telefonia, por meio de um
modem, em substituição ao hardware de armazenamento até então usado. Toda a
tecnologia de segurança e tratamento de dados envolvidas, que antes ficava
embarcada na impressora, passa a fazer parte do modem que fará a comunicação
entre o estabelecimento e a Sefaz. Com isso, o Fisco ganha em agilidade e
capacidade de combater de forma mais rápida a sonegação.
O lançamento fiscal que
era feito somente no fechamento do mês pode ser realizado em tempo real. Com a
automatização do envio do cupom, a secretaria pode lançar o crédito para os
consumidores cadastrados na Nota Fiscal Paulista de forma imediata. As
informações coletadas de forma confiável, podem ainda favorecer a criação de
políticas fiscais, o que beneficiaria todo o comércio do Estado. Modernização às
claras O SAT Fiscal tem um histórico de longa data e toda a evolução que levou a
ele pode ser acompanhada. "O conceito já vinha sendo discutido há alguns anos
dentro do Governo de São Paulo, dentre as ações que o Fisco estava disposto a
tomar para melhorar o controle sobre o comércio e aumentar a arrecadação",
lembra Pedrão. O decreto 47.350, que cria o mecanismo, é de 2006. A intenção do
Fisco de digitalizar alguns processos no comércio é ainda anterior. A nota
fiscal eletrônica do município de São Paulo para prestação de serviço e a nota
fiscal paulista remetem à 2005.
Ou seja, quem conhece o dia-a-dia do mercado
onde atua, já tinha sinais de que o cenário tinha uma tendência de modernização.
As intenções da Sefaz-SP de aumentar a arrecadação e evitar a sonegação sempre
foram claras e quem trabalha com tecnologia sabe que sistemas digitais são muito
bons para esse tipo de estratégia. Mesmo que faltasse uma percepção mais ampla,
todos os envolvidos foram chamados a uma consulta pública do SAT Fiscal, em
setembro de 2009. Vários fabricantes e entidades participaram da discussão, como
Abinee, Afrac e Fecomercio. Não dá pra dizer que não houve tempo para acertar as
diferenças ou para se preparar para as mudanças. Empresários de automação
sintonizados com o noticiário econômico também previam que com a fuga de várias
indústrias para outros estados, durante a última década, o Fisco de São Paulo
iria começar a se preocupar com o setor de comércio e serviços. Tal foco não
teria muitas alternativas a não ser a possibilidade de disponibilizar
informações em tempo real e a garantia da procedência dos dados para aumentar a
arrecadação e evitar sonegação. Segundo os documentos da Sefaz, o Fisco enxerga
que o ECF como está hoje traz obrigações para o contribuinte que poderiam ser
eliminadas. Basicamente, as preocupações recaem na obrigação do arquivamento de
documentos e na abertura do mercado para que o preço do equipamento caia com o
aumento da concorrência.
Esses benefícios do SAT Fiscal são compreendidos, mas o
projeto como um todo não é aplaudido pelo setor de automação. "Iremos para onde
o Fisco indicar, mas há pontos que podem ser melhorados", afirma o diretor de
canais da Bematech, Sérgio Basílio. O executivo acredita que o novo sistema da
SEFAZ pode ainda prejudicar fabricantes menores já que eles não terão condições
de investir em desenvolvimento de novos produtos. "O mercado pode concentrar
ainda mais e aí passaremos de 10 fornecedores de impressoras para três ou quatro
de SAT Fiscal", diz. O que o mercado de automação deseja é apenas um caminho de
transição sem pedras ou espinhos. As virtudes do projeto e as intenções de
melhoria da arrecadação estão bem assimilados. Contudo, muita discussão deve
acompanhar o projeto piloto do SAT Fiscal a partir de abril. Com os testes
realizados em campo, todos poderão visualizar melhor as mudanças do novo sistema
e caminhar juntos para uma nova etapa no mercado de automação de negócios. Será
também uma excelente oportunidade do setor mostrar que tem força na hora de
defender seus interesses.
|
Serviços de Contabilidade Consultoria Empresarial e Licitações
Enfim, novidades para o tão esperado PAF-ECF-SAT - Automação no Varejo.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário